Um tema que não permite estilo por estilo.
Créditos de abertura de um documentário que expõe o submundo do tráfico humano e apresenta formas de ajudar mulheres em situação de risco. Direção de arte e style frames de toda a sequência de cartelas.
O filme existe para expor o tráfico humano e apontar o que pode ser feito a respeito. Uma abertura para isso não pode ser bonita de um jeito que estetize o tema, nem cuidadosa a ponto de não dizer nada. O problema de design inteiro é achar o registro entre esses dois erros.
Trechos das entrevistas foram o ponto de partida. A partir do que as próprias mulheres contam, as imagens ilustram o que elas viveram como pessoas traficadas e exploradas sexualmente — e cada uma dessas imagens precisou passar pelo mesmo filtro: sensibilidade. Um tema assim não admite ilustração literal nem estetização. Daí o sistema que sustenta a sequência: retícula de meio-tom sobre retratos em preto e branco, letras gigantes construindo o fundo, e a cor reservada ao nome na cartela.
Os frames aprovados viram a sequência, no tempo da música. Nada é descoberto aqui — tudo foi decidido nas imagens.
A cor aparece só no nome. Todo o resto é preto, branco e retícula.